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Há um ano, apenas 8% das empresas brasileiras utilizavam inteligência artificial para criar conteúdo em programas de treinamento e desenvolvimento.
Hoje, são 69%.
Esse crescimento de 61% em doze meses é desconcertante. Não é o tipo de evolução que você vê em adoção de tecnologia. É mais próximo daquilo que acontece quando uma tendência se torna obrigatória, quando todos percebem que estão ficando para trás e começam a mexer no painel de controle sem entender bem o que estão fazendo.
Aqui na Eduvem, vemos isso de perto. Conversamos com organizações que já integram IA e com as que estão começando agora. E uma questão emerge clara: todos estão acelerando. Poucos sabem para onde.
O Paradoxo Invisível: Mais Tecnologia, Menos Clareza
A pesquisa Panorama do Treinamento no Brasil 2025 revela um dado ainda mais perturbador que fica eclipsado pelas manchetes sobre IA. No mesmo ano em que a adoção de inteligência artificial explodiu, as empresas reduziram a avaliação de resultados em T&D. Menos empresas mediram o impacto de seus programas. Menos projetos foram submetidos a testes de aprendizado e análise de aplicabilidade.
Estamos operando em um cenário inverso: treinamos mais, tecnologicamente mais sofisticado, mas sabemos menos sobre o que aquilo produz de resultado real.
Isso não é coincidência. É sintoma de quem acelerou sem roteiro. De quem adotou uma ferramenta porque a ferramenta estava ali, promissora e aparentemente milagrosa, mas não reformulou os objetivos. Não passou pela pergunta anterior e necessária: para que estamos usando isso exatamente?
Essa é a diferença que Eduvem busca fazer com seus clientes. Não é sobre ter a ferramenta mais recente. É sobre saber exatamente qual problema ela resolve.
A Diferença Entre Otimizar e Transformar
Existem dois modos distintos de relacionamento com IA em T&D.
O primeiro é otimização. Você toma o processo que já existe: criação de conteúdo, testes de conhecimento, sugestões de aprendizagem. E o torna mais rápido, mais barato, mais escalável. IA aqui é um editor de turno da noite, sempre disponível, sem ego, sem cansaço. Resultado? Os treinamentos saem mais rápido. A quantidade aumenta. O tempo do time diminui. Ótimo.
Mas isso é apenas o andar térreo.
O segundo é transformação. Você redefine o problema. Você pergunta: qual é o padrão real que queremos que as pessoas aprendam? Qual é a lacuna específica de desempenho que este programa precisa fechar? Como personalizamos essa jornada sem deixá-la genérica? Como criamos feedback contínuo que não dependa do professor que você recebeu naquela manhã de quarta-feira?
Quando você faz essas perguntas primeiro, IA deixa de ser uma ferramenta de automação e se torna um parceiro de design. Não para fazer mais conteúdo. Para fazer diferente.
A maioria dos 69% está no primeiro modo. Não há nada de errado com isso. Exceto que a gente chama de transformação quando na verdade é aceleração. E aceleração sem direção é apenas barulho amplificado.
Aqui na Eduvem, quando trabalhamos com transformação organizacional através da aprendizagem, esse é o ponto crítico. Não é “vamos usar IA para produzir conteúdo mais rápido”. É “como redesenhamos a experiência de aprendizagem de forma que cada pessoa receba exatamente o que precisa, quando precisa, e que isso gere resultado mensurável no desempenho”.
Os Números Que Falam Mais Alto
Sair de 8% para 69% é dramático. Mas há números menores nesta pesquisa que merecem mais atenção que as manchetes.
39% das empresas usam IA para criar testes de conhecimento. 21% usam para personalização de aprendizagem. 17% usam como assistente de aprendizagem com feedback.
Nenhum desses números é trivial. Mas observe a progressão: quanto mais sofisticada a aplicação de IA, menos empresas a adotam. Isso não é sinal de que as empresas estão esperando a tecnologia melhorar. É sinal de que 52% das empresas que usam IA para criação de conteúdo não sabem como ir além disso. Não porque não seja possível. Porque não foi repensada a estratégia.
E há mais: apenas 17% dos respondentes não utilizam IA. Nos relatórios que chegam ao fim deste ano, isso vai estar perto de 10%. A adoção é tão rápida que qualquer empresa que ainda não integrou IA em seus processos de T&D já é considerada defasada. Não porque a ferramenta seja imprescindível. Porque a conversa mudou, e quem fica de fora da conversa fica de fora do crédito de estar tentando.
Isso é um problema diferente. O problema da velocidade da adoção superando a profundidade de compreensão.
Inversão de Prioridades: O Tamanho da Equipe Segue Flat
Aqui está um dado que deveria causar alarme genuíno em quem trabalha com T&D.
O volume de horas de treinamento por colaborador aumentou. De 21 horas (média de 10 anos) para 26 horas em 2025. As empresas estão treinando mais. Mas o tamanho da área de T&D permanece consistente. A proporção de profissionais por número de colaboradores não se movimentou significativamente.
Isso significa que a mesma quantidade de pessoas está produzindo mais conteúdo, em formatos mais sofisticados, com tecnologia mais complexa, e medindo menos resultados.
IA não eliminou o trabalho. Concentrou o trabalho. Mudou o tipo de trabalho. Mas apenas concentrou.
A equipe T&D está usando IA como substituta de pausa estratégica. Quando a tecnologia chegar mais longe (quando conseguir criar não só conteúdo, mas desenhar jornadas de aprendizagem e validar seus próprios resultados), talvez então enxerguemos a redução real em volume de trabalho. Por enquanto, é apenas trabalho diferente.
Este é justamente um dos diferenciais que Eduvem oferece: estruturar a operação de T&D de forma que a tecnologia trabalhe junto com as pessoas, não contra elas. Desenhar a estratégia de aprendizagem para que IA não seja carga de trabalho acelerada, mas parceira de transformação.
Os Setores Que Estão Fora da Conversa
Há nuance importante nesta pesquisa que revela a realidade de quem usa e quem não usa IA de verdade.
Comércio tem 11% dos respondentes. Indústria tem 32%. Serviço tem 43%.
O setor de comércio é também quem menos investe em T&D por colaborador. 15% menos que a média. É quem menos tem universidade corporativa. É quem menos usa metodologias sofisticadas de aprendizagem. É possível que seja também o que menos usa IA em T&D não por falta de interesse, mas por falta de volume de T&D mesmo.
Quando você treina pouco, não precisa de IA para criar conteúdo. Quando você treina menos ainda, a IA deixa de ser urgência.
Isso cria um cenário onde aprendizagem corporativa sofisticada (e agora tecnologicamente sofisticada) concentra-se ainda mais em quem já tem estrutura. E quem precisa de ganho de desempenho rápido, específico, sem orçamento generoso, fica observando de longe.
Este é um dos pontos que Eduvem trabalha: não é sobre fazer T&D sofisticado apenas para grandes empresas. É sobre estruturar aprendizagem de forma que seja eficaz em escala, acessível em investimento, e geradora de resultado real independente do tamanho da organização.
A Verdade Incômoda: Ninguém Sabe Como Fazer Direito Ainda
Aqui está o que é importante reconhecer: a pesquisa não mostra que as empresas dominaram IA em T&D. Mostra que as empresas adotaram IA em T&D.
Há diferença significativa.
Adoção é rápida, acrítica, impulsionada por FOMO. Domínio é lento, pensado, construído sobre perguntas duras.
Quando 69% das empresas começam a usar IA para conteúdo em um ano, você está vendo adoção. Quando elas começam a repensar como desenham a aprendizagem porque IA permite personalização que antes não era possível, quando começam a medir diferente porque agora conseguem rastrear caminhos individuais de aprendizado, quando começam a reduzir ciclos de treinamento porque conseguem iterar mais rápido, aí você vê domínio.
Estamos longe disso.
O que vemos é a velocidade de adoção superando a profundidade de compreensão. Empresas usando IA porque todos estão usando. Porque parece futurista. Porque o CEO perguntou e IA era a resposta mais fácil. Porque a alternativa era admitir que T&D é um trabalho que continua sendo principalmente criação manual de conteúdo.
O Que Muda Quando Você Faz Direito
Quando a estratégia de aprendizagem muda por causa de IA, algumas coisas ficam diferentes.
Primeiro: você mede mais granular. Não é “assistiu o curso?”. É “que conceito específico ainda não fixou? Como sabemos? O que oferecer depois?”. Porque IA permite rastreamento que antes exigia pesquisa de clima ou avaliação de 360.
Segundo: o desenho de programa muda. Deixa de ser “aula de onboarding” para ser “jornada de integração personalizada que se adapta conforme a pessoa aprende”. Menos conteúdo, melhor aproveitado.
Terceiro: o papel do T&D muda. Sai de “produtor de conteúdo” para ser “designer de experiência e validador de que a experiência produz resultado”. Trabalho diferente, mais estratégico, menos artesanal.
Quarto: você consegue justificar investimento. Porque consegue mostrar que programa produz retenção aumentada, desempenho melhorado, tempo de produtividade reduzido.
Nenhuma empresa que respondeu a esta pesquisa consegue dizer que tem tudo isso em funcionamento. Se tivesse, os números de ROI e de impacto no negócio seriam muito maiores que 1% e 34%.
Aqui está onde Eduvem diferencia. Trabalhamos com aprendizagem como estratégia de transformação organizacional. Conectamos T&D a cultura, performance, e experiência do colaborador. Estruturamos indicadores que importam. Usamos tecnologia (incluindo IA) como habilitadora dessa transformação, não como fim em si mesma.
A Conversa Que Precisa Acontecer
O cenário hoje é o seguinte: T&D acelerou na adoção de IA porque havia pressão de velocidade. Porque havia volume de demanda. 26 horas anuais de treinamento por pessoa é muito. E a equipe é do mesmo tamanho de antes.
Mas ninguém parou para perguntar: aceleração para quê? Onde quer chegar quando chegar rápido?
A resposta que a pesquisa mais recente sugere é: não sabemos. Estamos medindo clima organizacional e volume de horas como sempre fizemos. Estamos criando conteúdo mais rápido com IA. Estamos esperando que o resto resolva sozinho.
Isso não vai funcionar.
Porque IA em T&D não é um multiplicador de eficiência. É um multiplicador de intenção. Se a intenção era criar conteúdo genérico rápido, IA torna isso 10x mais rápido. Se a intenção era desenhar aprendizagem que realmente mude comportamento e desempenho, IA torna isso 10x mais fácil também. Mas a intenção precisa existir primeiro.
E a conversa sobre intenção não está acontecendo. O que existe é adoção. O que falta é estratégia.
O Próximo Passo Não É Mais IA. É Clareza.
Se você está usando IA em T&D hoje, faça uma auditoria. Não da ferramenta. Da intenção.
Responda com dureza: em qual dessas categorias seu uso de IA se encaixa?
- Otimização pura. Usamos IA para produzir conteúdo mais rápido. Nada de errado, mas saiba que é isso.
- Otimização com atenção. Usamos IA para produzir mais rápido, e redefinimos o que medimos para saber se serve. Melhor.
- Transformação. Usamos IA para redesenhar como as pessoas aprendem, como validamos que aprendem, e como garantimos que isso gera resultado. Raro, mas existe.
A maioria está na categoria 1. Alguns na 2. Praticamente ninguém na 3.
Aqui está o que importa: a categoria 1 é insustentável porque pode ser replicada. Qualquer competitor com ChatGPT e 15 dias consegue fazer. Categoria 3 é insustentável também, mas por razão oposta. Porque é difícil. Porque requer repensar processo, estrutura, métricas, papel das pessoas.
A categoria 2 é onde mora o futuro. É onde você consegue usar IA como ferramenta real, não como gadget. É onde consegue justificar os investimentos. É onde consegue responder a “qual é o retorno disso?” com dados, não com esperança.
A pesquisa de 2025 não mostra que a maioria das empresas está na categoria 2. Mostra que estão se movendo rápido entre 1 e 2, muitas vezes acreditando que já chegaram lá.
Como Eduvem Ajuda Nessa Jornada
O que Eduvem faz é justamente facilitar essa transição entre categorias. Não oferecemos IA genérica para criar conteúdo mais rápido. Oferecemos ecossistema de transformação organizacional através da aprendizagem, tecnologia, experiência humana e inteligência aplicada.
Isto significa:
Clareza estratégica. Começamos entendendo qual é o problema real que T&D precisa resolver. Não “precisamos de mais conteúdo”. Mas “como desenvolvemos liderança que seja mais adaptável”, ou “como estruturamos onboarding que retenha talentos”, ou “como criamos cultura de aprendizagem contínua”. A partir daí, IA é apenas uma das ferramentas.
Desenho de experiência. Usando TXP (Transformation Experience), estruturamos como a aprendizagem flui na organização. Como cada pessoa recebe exatamente o que precisa. Como isto conecta com desempenho, cultura, e evolução organizacional.
Indicadores que importam. Definimos quais métricas realmente indicam transformação. Não volume de horas treinadas, mas reflexo em comportamento, desempenho, retenção. O que você mede, melhora. E só vale medir o que importa.
Tecnologia alinhada. Aí entra a plataforma de aprendizagem, IA aplicada, análise de dados. Mas como habilitadora da estratégia, não como protagonista.
Acompanhamento estratégico. Transformação é jornada. Trabalhamos junto com a equipe de T&D e liderança para garantir que a mudança seja sustentável.
Conclusão: Adoção Não É o Mesmo Que Maestria
Há um pressuposto em torno desta pesquisa que merece contestação: que números altos de adoção significam que a tecnologia está resolvendo problemas.
Não significam.
Significam apenas que a pressão de adotar é alta. E quando a pressão de adotar é alta, você consegue 69% das empresas usando IA para conteúdo rápido. Você consegue aumento de horas de treinamento. Você consegue velocidade.
O que você não consegue, necessariamente, é transformação.
E transformação é o que importa. Não é transformação de ferramenta. É transformação de resultado. Pessoas aprendendo o que realmente precisam aprender. Organizações vendo reflexo disso em desempenho. T&D deixando de ser custo para ser investimento com retorno quantificável.
IA é excelente para isso. Mas apenas se for pensada como estratégia, não como tática. Apenas se a pergunta “como IA muda o que sabemos sobre aprendizagem?” vier antes da pergunta “qual ferramenta IA devemos usar?”.
A conversa que precisa acontecer em 2026 não é sobre mais adoção. É sobre clareza. Sobre se as empresas sabem por que estão usando IA. Sobre se conseguem mostrar que está funcionando. Sobre se conseguem explicar que diferença fez.
Porque direção concentrada é melhor que velocidade dispersa.
Sempre.
Próximos Passos
Se sua organização está navegando esta transição (de otimização para transformação real em T&D), converse conosco.
Temos uma abordagem específica para diagnosticar em qual categoria você está, desenhar a estratégia correta, e estruturar a transformação de forma sustentável.
Ou comece por aqui: qual é o indicador mais importante que sua empresa deveria estar medindo e não está?
